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O Estado do Piauí

03 de abril 2009

Gaúchos comemoram dez anos da chegada ao Piauí
 

Os gaúchos estão comemorando dez anos de Piauí. Eles chegaram à Serra Branca, na zona rural do município de Uruçuí, no Sul do Estado, em março de 1999, determinados a transformar a erma região dos Cerrados piauienses num grande centro produtor de grãos, principalmente de soja.

Uma década depois, o Piauí alcança uma das maiores produtividades do Brasil e chegou ao final da safra 2007/2008 com uma produção superior a 1 milhão de toneladas de grãos, fazendo de Uruçuí o segundo município piauiense em arrecadação de ICMS e um Produto Interno Bruto (PIB) quase três vezes maior que o da capital, Teresina.

Saga - “Esta é a história de pessoas que saíram de muito longe, em busca de novas terras, novas conquistas, igual a história do Brasil”, define Tarcísio Balsan, vice-presidente da Associação dos Produtores Rurais de Serra Branca Nova Santa Rosa, ele próprio um dos pioneiros que desembarcaram em plena mata e abriram clareiras para armar as primeiras barracas de lona, que serviram de abrigo inicial às 35 famílias que trocaram a cidade gaúcha de Santa Rosa, a 600 quilômetros de Porto Alegre e pioneira no cultivo de soja no Brasil, pela solidão dos Cerrados do Piauí. “É um sonho de muito trabalho e de muitas dificuldades, mas que está se tornando realidade”, completa Balsan.

Outro pioneiro que não esquece março de 1999 é Alcino Luiz Traesec, recentemente eleito presidente da Associação de Produtores Rurais de Serra Branca Nova Santa Rosa: “Nossas famílias chegaram em cima de caminhões, onde também vinham as máquinas, os tratores. Isto aqui era só mato, não tinha estrada, não tinha luz, nem água”.

Encontrar água para beber e para uso doméstico e asseio foi o primeiro desafio. “Chegávamos a andar até 40 quilômetros para conseguir água”, diz.

Alcino Traesec adianta que ele e seus companheiros de viagem tiveram que começar do zero, abrindo clareiras para a construção de barracos, construindo as primeiras estradas e perfurando poços. “Aos poucos nossa comunidade vai melhorando, mas ainda necessitamos de muita coisa, principalmente de energia”.

Mesmo com as dificuldades, não esconde a satisfação ao mostrar os resultados que já conseguiram. A agrovila Nova Santa Rosa, nome dado em homenagem à cidade de origem, no Rio Grande do Sul, hoje, já abriga 125 famílias e cultiva 35 mil hectares de grãos, principalmente de soja, com uma produtividade média de 50 sacas por hectare.

Os números mais recentes disponíveis justificam a satisfação dos gaúchos. Nos últimos dez anos, a área da cultura de soja nos Cerrados do Piauí cresceu 858%, enquanto a do Brasil cresceu 64%; a produtividade cresceu 1.361%. O PIB de Uruçui é de R$ 19.471 por pessoa, bem distante do de Teresina, que é de R$ 7.482, e de Picos, de R$ 6.116.

Segundo o governador Wellington Dias, que esteve em Nova Santa Rosa no último dia 26, para participar da II Festa da Soja organizada pela comunidade, para marcar o início da colheita de grãos, desde 2001 Uruçuí é a região que mais cresce no Brasil, alcançando uma taxa média de 37% durante sete anos seguidos.

Geisa Marcolino chegou a Nova Santa Rosa com apenas 15 anos de idade. Veio acompanhando os pais e não esconde que o começo foi desanimador. “Foi muito difícil, faltava tudo”.

Hoje, casada com o paranaense Wilson Marcolino, que conheceu em Nova Santa Rosa, já é mãe de Eduardo, de 7 anos, e de Brenda, de 4, dois Piúchos - nome que dão às crianças que nascem no Piauí, por representar uma junção de gaúcho e piauiense.

Aos 25 anos, Geisa Marcolino virou locutora. É dela a voz que anima os dias de domingo, em Nova Santa Rosa, através da rádio Princesa do Sul, montada pelos pioneiros para divulgar e manter viva a cultura gaúcha entre os produtores rurais da região. “Nossa rádio é modesta e funciona somente aos domingos, basicamente com músicas do Sul e avisos para a comunidade”.

Mas no dia 29 de março, a grande atração da rádio Princesa do Sul, anunciada por Geisa Marcolino, foi uma entrevista com um quase conterrâneo, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que é natural de Santa Catarina, mas que fez carreira política no Paraná. O ministro esteve em Nova Santa Rosa acompanhando o governador Wellington Dias, na festa da soja. A entrevista, gravada por Geisa, foi uma conversa alegre, de irmãos que moram distante e que se reencontram por poucas horas.

Desenvolvimento - Para o governador Wellington Dias, não há dúvida de que a região avançou muito. Ele lembra que até 2005 os Cerrados eram uma área isolada, sem estrada e com energia de baixa qualidade, às vezes sem força para fazer funcionar um simples aparelho de televisão.

Wellington Dias revela que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já investiu mais de R$ 700 bilhões no setor elétrico do Piauí, inclusive nos Cerrados. Foi este investimento que garantiu a energia de qualidade que chega a Uruçuí e aos demais municípios da região. “Para se ter carga elétrica aqui, foi preciso o governo construir uma linha de transmissão ligando a cidade de Estreito, no Maranhão, a São João do Piauí e Elizeu Martins, de onde agora chega energia para Uruçuí”.

Adiantou que, ampliar a rede de distribuição de energia não é apenas “puxar fios”, mas fazer obras que garantam o reforço da carga elétrica e energia para as ligações domiciliares e também para mover as máquinas das indústrias. "Quando assumi o governo, a Bünge, a maior empresa dos Cerrados, ameaçava fechar suas portas por falta de energia para fazer funcionar seu parque industrial. Agora, Uruçuí já tem sua subestação e Nova Santa Rosa também terá a sua, para garantir o atendimento da demanda local”.

No caso da agrovila, o governo vai implantar a rede de baixa tensão e garantir as ligações domiciliares. A rede de alta tensão está sendo construída em parceria com os produtores rurais. “Na próxima licitação do Programa Luz para Todos, de 11 mil ligações, já serão incluídas áreas desta região”, garante.

Quanto às estradas, o governador disse que muita coisa já foi feita. Cita a ligação asfáltica de Uruçuí com Ribeiro Gonçalves e as obras em andamento do asfaltamento de trechos como Jerumenha-Bertolínia-Antônio Almeida. A partir do trecho Jerumenha-Bertolínia, faltam cerca de 90 quilômetros para o asfalto chegar a Uruçuí. Já por Antônio Almeida, o trecho sem asfalto é de apenas 60 quilômetros. “Até 2005, isso aqui era uma região isolada, sem energia e sem estrada, mas de lá para cá já avançamos muito. E vamos continuar avançando”.

O governador disse esperar que, no próximo mês de maio, esteja pronta a modelagem da Parceria Público Privada (PPP) que vai garantir a construção da Transcerrados, uma rodovia de 430 quilômetros de extensão que vai beneficiar toda a região dos Cerrados do Piauí, a um custo que pode chegar a R$ 500 milhões, devido a falta de matéria-prima na região.

Para garantir a construção da estrada, o governo irá autorizar a cobrança de pedágio na Transcerrados. Segundo Wellington Dias, o próprio governo subsidiará o pedágio até que a rodovia se torne autosuficiente. “Pelo elevado custo da obra, esta é a maneira que encontramos para resolver o problema”.

Ele defende que a região dos Cerrados seja beneficiada por uma futura ligação das ferrovias Transnordestina, no Piauí, e Norte-Sul, no Maranhão. Seria, no seu entendimento, a melhor maneira de garantir o escoamento da produção de grãos dos dois Estados.

O trecho da Transnordestina no Piauí ficará pronto até 2010. A obra será atacada simultaneamente em quatro trechos de cem quilômetros, com mil operários trabalhando 24 horas por dia em cada um deles, a um custo que deverá passar de R$ 1,4 bi.

“Os Cerrados representam uma grande vitória da produção brasileira e piauiense. Com eles, o Piauí passou de 500 mil toneladas de grãos em 2003, quando assumi o governo, para uma produção de 1 milhão de toneladas na safra 2007/2008, e poderá chegar a 2 milhões de toneladas na próxima safra. Com certeza avançaremos muito mais”, conclui.

 

Esta inserção é uma homenagem à família de Benno Kunkel, uma das 35 famílias pioneiras de Nova Santa Rosa - Uruçuí - PI.

 

    Marli e Benno (pais)                                                      Adriano e Daniela (filhos)

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